segunda-feira, 7 de março de 2016

Acolhimento de idosos em uma ESF no distrito do Guamá

A presente postagem é o resumo de uma dissertação de Mestrado em Saude Coletiva defendida recentemente pela Fisioterapeuta Nadia Barreto dos Santos com orientação do Dr. Marcos Valério da Silva e abordou o acolhimento de idosos segundo os próprios usuários da ESF.

Este estudo teve como objetivo conhecer a percepção dos idosos de uma ESF do distrito do Guamá, Belém - Pará sobre o acolhimento, bem como as dificuldades enfrentadas e suas expectativas, partindo do conhecimento destes usuários sobre o tema e observação da dinâmica de atendimento na ESF. Levando em consideração a realidade do numero cada vez maior de idosos nos serviços de saúde e a necessidade de atendimento diferenciado, o Ministério da Saude tem apontado como prioridade a expansão e qualificação da atenção básica por meio da Estratégia de Saúde da Família,  bem como tem investido na formulação e implementação de políticas nesta direção. Em meio a esse contexto, o acolhimento tem um papel muito importante, pois ao possibilitar aos usuários a escuta de seus problemas e a resolução dos mesmos de forma qualificada, caracteriza-se como uma tecnologia que contribui para a organização do serviço, de forma a se garantir acesso universal, resolutividade. É importante, portanto a identificação de experiências sobre acolhimento no SUS. O desenho do estudo constituiu-se de abordagens quantitativas e qualitativas, realizado no período de junho a agosto de 2015 na ESF Parque Amazônia I do DISTRITO ADMINISTRATIVO DO GUMAÁ, Belém, Pará. Os dados quantitativos foram obtidos através de um formulário com dados referentes ao perfil sócio-demográfico dos usuários, dos quais foi feita uma análise descritiva. Os dados qualitativos foram coletados por entrevista semi-estruturada e observação participante. Foram entrevistados 20 idosos. A análise qualitativa foi realizada através da análise de conteúdo temática de Bardin. A maioria dos idosos era do sexo feminino, possuía entre 60 e 70 anos de idade, com renda familiar de apenas um salário mínimo, 50% deles era analfabeto. E a maioria possuía cônjuge. Através da analise qualitativa foram encontradas 11 categorias, que foram agrupadas em quatro temas, sendo eles: Acolhimento: significado da palavra no olhar do idoso; Acolhimento como tecnologia para reorganização do serviço; Relação profissional de saúde - usuário: atitude empática que favorece o acolhimento; Acolhimento: tecnologia que contribui para a concretização de um modelo assistencial baseado na clinica ampliada. O conceito de acolhimento que emergiu na fala dos usuários traduziu-se no desejo de ser bem tratado, ser recebido com carinho, com paciência, a boa convivência, o respeito. Estas são características que mostram a face relacional do acolhimento, o quanto é importante a relação entre o profissional de saúde e o usuário. No campo das atitudes práticas, passando além do conceitual, foi relatada a longa espera para atendimento e para agendamento das consultas, exames, espaço fisico inadequado, falta de alguns remédios, que faz com que tenham que deslocar-se até outros locais, tendo que superar obstáculos geográficos e financeiros, caracterizando-se como dificuldade à concretização do acolhimento. Além disso, infelizmente, a lógica reducionista, curativista, baseada na fartura de remédios e médicos está instalada não obstante todos os esforços para transformação desse modelo assistencial no SUS. Logo, o acolhimento, se realizado de maneira efetiva, representas um instrumento que pode contribuir significativamente para essa grande revolução na concepção de cuidado em saúde, tendo em vista que através dele, o usuário é colocado no centro, trazendo melhores resultados para a sua saúde. Portanto, o estudo possibilitou uma reflexão sobre conceitos e características relacionadas ao acolhimento que se evidenciam na pratica, ou que ainda estão por melhorar, trazendo novas perspectivas para melhoria do sistema de saúde a luz desta diretriz.

domingo, 6 de março de 2016

O impacto da participação em programas PET-Saúde na formação do fisioterapeuta no Norte do Brasil




A Universidade do Estado do Pará, vem ao longo dos últimos oito anos aprovando projetos PET-Saúde em todas as edições lançadas pela SGTES/MS. O curso de Fisioterapia vem se fortalecendo ao longo desses anos e a participação ativa nos programas PET-Saúde se dá de forma significativa para a formação em fisioterapia no Estado do Pará. O impacto da participação em programas PET-Saúde na formação do fisioterapeuta no Norte do Brasil, foi tema da minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação Mestrado Profissional Ensino e Saúde na Amazônia, o qual apresento aqui o Resumo.

RESUMO

Introdução: A partir de reflexões acerca do processo de reorientação da formação profissional em saúde, especialmente no campo da fisioterapia e considerando que a Universidade do Estado do Pará (UEPA) vem acompanhando essas mudanças por meio de programas como Pró-Saúde, PET-Saúde, essa pesquisa teve como questão problematizadora: Qual o impacto da participação em programas PET-Saúde na formação do fisioterapeuta, egresso da UEPA na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS)? Objetivos: Analisar o impacto da participação em programas PET-Saúde na formação do fisioterapeuta, egresso da UEPA na perspectiva do SUS, conhecer o perfil do profissional fisioterapeuta egresso da UEPA, que tenha participado dos programas Programa PET-Saúde/UEPA e verificar de que forma a integração ensino-serviço-comunidade influenciam na formação deste profissional. Material e Métodos: a abordagem metodológica foi a qualitativa descritiva, utilizando como técnica de coleta de dados a entrevista semiestruturada e como técnica de análise dos dados a análise de conteúdo, fundamentada nas obras de Minayo. Os participantes da pesquisa foram 10 fisioterapeutas que participaram dos programas PET-Saúde/UEPA (2009 e 2010/2011). A coleta de dados teve início após as aprovações necessárias e ocorreu no período de novembro de 2014 à fevereiro de 2015 no ambiente de trabalho dos participantes da pesquisa. Resultados: Em relação ao perfil dos entrevistados, houve uma forte tendência para inserção dos mesmos em programas de residências multiprofissionais, demonstrando que o conhecimento adquirido pode ter influenciado para o êxito no processo seletivo desses programas. Outro ponto positivo foi o envolvimento com forte vinculo ao programa PET-Saúde, o que permitiu que os mesmos pudessem vivenciar plenamente a prática da atenção à saúde nos municípios de Belém e Ananindeua e influenciou positivamente nas práticas profissionais desenvolvidas por todos os participantes, proporcionando, ainda, o desenvolvimento de uma visão crítica dos processos de trabalho nos vários pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Também constatamos algumas fragilidades no que se refere ao que é preconizado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN’s) vigentes para o curso de fsioterapia, demonstrando a necessidade de se repensar o Projeto Político Pedagógico (PPP) de modo a atender essas diretrizes e preparar o egresso para o mercado de trabalho na perspectiva do SUS. Considerações finais: a participação no programa PET-Saúde se deu como uma atividade complementar, porém, não articulada com a graduação, tendo como consequência a dificuldade em desenvolver uma definição clara sobre a atuação do fisioterapeuta na Atenção Primária à Saúde (APS). Como contribuição para vencer as fragilidades, surgiu como proposta a produção de um blog que permita o diálogo aberto acerca de questões relacionadas a atuação do fisioterapeuta na RAS e a criação de um curso livre a distância com possibilidade de fortalecimento do processo de trabalho no âmbito do SUS e da formação em fisioterapia.